O AMOR PELO VIOLONCELO – PAU CASALS E GUILHERMINA SUGGIA

Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia (1885-1950), filha de pai de ascendência italiana e espanhola, violoncelista no Teatro de S. Carlos e professor no Conservatório de Música de Lisboa e que lhe começou a ensinar violoncelo aos 5 anos. Vivendo no Porto, apareceu a tocar em público aos sete anos. Ela e sua irmã Virginia (3 anos mais velha), que tocava piano, eram convidadas para actuar no seio cultural portuense. Com apenas 13 anos, Guilhermina era violoncelista principal da Orquestra da Cidade do Porto, tocando também com o quarteto de cordas Bernardo Moreira de Sá. Em 1898, o pai conseguiu que ela tivesse aulas com o famoso violoncelista catalão Pau Casals. Podemos imaginar a repercussão destas lições, numa jovem de 13 anos, a estudar com um músico famoso, então com 22 anos…


Retrato de Guilhermina SuggiaEm Março de 1901 as duas irmãs atuaram no Palácio Real de Lisboa. Com 15 anos apenas a coroa portuguesa concedeu-lhe uma bolsa e ela foi estudar para a Alemanha, tendo sido acompanhada pelo pai. Aos 17 anos, Guilhermina  teve uma apresentação  no concerto comemorativo com orquestra Gewandhaus, onde foi notado o facto de ter sido a intérprete mais  jovem a actuar com a orquestra, para mais sendo solista e mulher. O seu êxito foi total e aqui começou o seu sucesso internacional e nacional.


É em 1906 que virá a tocar com Pau Casals, em Paris. Nesse mesmo ano começou a partilhar com ele a mesma casa, a Villa Molitor. São famosos os convívios do casal com pintores, músicos, filósofos e escritores. Em várias fontes são-nos referidos os seus passeios, os jogos de ténis, a pesca e o facto de tocarem até altas horas da madrugada.


Lembrou Casals, anos mais tarde, que tocavam juntos, “pelo puro amor de tocar, sem pensar em programas de concerto ou horários, em empresários, bilheteiras, audiências, críticos de música. Apenas nós e a música” (Kahn, 1970, 143) O romance com o músico famoso, encheu as páginas dos jornais. O compositor húngaro, Emánuel Moór dedicou-lhes o “Concerto para dois violoncelos”. Esta relação terminou 7 anos mais tarde, de forma abrupta e Guilhermina mudou-se para Londres, onde teve uma actividade profissional muito reconhecida. Voltou para o Porto onde se fixou,  casou e morou até ao fim dos seus dias.

 

 

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